quinta-feira, 7 de julho de 2016

Curso do Rio 2016


Curso do Rio 2016
 
Popular -  Ecumênico -  Participativo

Data: 09 a 11 de setembro



Miquéias e o Direito do Pobre
Tema do Mês da Bíblia 2016
O Profetismo, ontem e hoje!


A partir das ciências sociais e da Fé, trazer a crítica do profeta para os dias de hoje e pensar o papel das religiões na construção de uma sociedade de acordo com projeto de Deus, fundada no direito e na misericórdia (Mq, 6,16).
Assessoria
Mercedes Lopes
Érika Glória Rocha Dos Santos
Obertal Xavier Ribeiro
Névio Fiorin
Local
Quadra da Paróquia Santa Bernadete
Av. dos Democráticos, 896
Higienópolis  - Rio de Janeiro, RJ
Programação:
Início:sexta-feira 18h
Término: domingo 16h
(A programação será informada mais adiante)

Destinatários: O Curso se destina a pessoas, especialmente jovens, que atuam nas comunidades eclesiais, projetos comunitários e movimentos sociais.
Número de participantes: 100
Contribuição Solidária: R$ 15,00

Oficinas de Roda de Conversa  
  •  Teatro Popular
  •  Dança: Juventude, Arte e Cultura
  •  Direitos Humanos e enfrentamento da violência
  •  Juventude e Participação na sociedade
  •  Prevenção de Drogas e Trabalho com Dependentes
  •  Espiritualidade e ecumenismo
FICHA DE INSCRIÇÃO – até 03 de setembro (ou até se completarem as vagas)
Faça sua inscrição on-line

Para visualizar a ficha copie e cole o link:  http://goo.gl/forms/0VYto6X1pTVLZy9A2 


Informações: Telefone: (21) 2262.8162 crio@iserassessoria.org.br

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O Papa aos Bispos da América Latina e Caribe: Está na hora de confiar nos leigos.


Na quinta-feira, 19 de maio, o papa Francisco recebeu, na sua biblioteca particular, os membros da Presidência CELAM – Conferência Episcopal Latino americana, da qual faz parte dom José Belisário da Silva, arcebispo de São Luís do Maranhão, segundo vice-presidente.

A implementação de Evangelii Gaudium
Quando o cardeal Ruben Salazar, depois de apresentar a saudação em nome da Presidência, pediu ao Santo Padre o que ele espera do CELAM, o papa imediatamente respondeu: "implementar a Evangelii Gaudium", especialmente tudo o que se refere aos leigos. Há 50 anos ou mais vem se dizendo que "está na hora dos leigos", mas parece que o relógio parou.
O Papa recomendou especialmente a leitura e aplicação da Carta dirigida ao Cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, em 19 de março, dia de São José, por ocasião da recente Assembleia que a agência fez de 1 a 4 de março em Roma sobre "o compromisso indispensável dos leigos na vida pública dos países latino-americanos."

A preocupação do Papa com a América
O papa expressou sua preocupação com os problemas sociais enfrentados pelo povo das Américas em geral. 
O papa está preocupado com as eleições nos EUA pela pouca atenção à situação social dos mais pobres e excluídos. Está preocupado com os conflitos sociais, econômicos e políticos na Venezuela, Brasil, Bolívia e Argentina... pode estar a caminho algum "golpe de estado branco" em alguns países.
Outra preocupação do papa Francisco são as carências do povo haitiano e a falta de diálogo entre as autoridades dos países que compartilham a ilha, Haiti e República Dominicana, para encontrar uma solução jurídica para os migrantes e refugiados. Preocupa-se com a compreensão de Estado laico e o papel da liberdade religiosa por algumas autoridades mexicanas.
O papa está animado vendo o progresso no processo de paz na Colômbia; também está animado com a sua próxima viagem a esse país para fazer uma visita pastoral a um povo que foi tão atingido pela violência e que necessita encontrar caminhos de perdão e reconciliação.
O Papa fica bem animado quando começa a falar sobre a Pátria Grande, que é a América Latina, e os esforços que não devem cessar para alcançar a integração de nossos povos.
Para isto é preciso aproximar-se, restaurar o diálogo social e buscar soluções conjuntas aos desafios do mundo de hoje.
 (Névio Fiorin, baseado em artigo de Leonid L. Ortiz, vice-secretário-geral do CELAM publicada em periodistadigital.com, 20 de maio de 2016).


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Encontro Latino-americano e Caribenho de Bispos Responsáveis pelas CEBs


Encontro Latino-americano e Caribenho de Bispos Responsáveis pelas CEBs 

Com a Equipe de Articulação Continental das CEBs


Aos Presidentes das Conferências Episcopais,
Aos Bispos,
Aos irmãos e irmãs das CEBs na América Latina e no Caribe,

Na festa da Ascensão do Senhor, reunidos em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, enviamos uma saudação fraterna e esperançosa.
O Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), através do Departamento de Comunhão Eclesial e Diálogo, convidou os bispos responsáveis ​​pelo acompanhamento das Comunidades Eclesiais de Base e membros da Equipe de Articulação Continental para refletir sobre a situação atual das Comunidades e fazer uma projeção para os próximos anos.
Usando o método de Ver - Julgar - Agir - Avaliar - Celebrar - compartilhamos informações dos bispos e do serviço de articulação sobre a realidade das Comunidades Eclesiais de Base nos respectivos países. Depois, por grupos regionais, trabalhamos os pontos fortes, os desafios e os impactos das CEBs. Notamos que tem sido uma Caminhada com solavancos, sombras e obstáculos e ficamos alegres em saber que as comunidades estão vivas e lutando por uma vida digna.
Nesta primavera eclesial, suscitada pelos gestos e doutrina do Papa Francisco, as Comunidades se sentem fortalecidas e renovadas em seu entusiasmo evangelizador e missionário. Reafirmamos nossa convicção de que as Comunidades são Igreja de Jesus na base, Igreja pobre e dos pobres.
Auxiliados pelas exposições de vários teólogos aprofundamos a identidade das CEBs e suas características missionária, profética, trinitária, servidora, bem como o seu compromisso com a transformação da sociedade. Destacamos aqui algumas das contribuições das comunidades para a vida da Igreja e da sociedade:
·       O serviço comprometido com o Reino de Deus que se manifesta através de sinais concretos;
·       A centralidade da Palavra que nos ajuda a unir Fé e Vida;
·       O testemunho dos mártires que nos impulsiona à entrega generosa no dia-a-dia;
·       O seguimento de Jesus vivido em comunidade e em vista da missão;
·       A diversidade de ministérios que procuram responder às necessidades específicas;
·       A alegria de viver, expressa criativamente em celebrações festas e cantos.

No final do nosso encontro assinalamos perspectivas para fortalecer o processo das CEBs no Continente:
·       Formação sobre a identidade das CEBs aos bispos, aos ministros ordenados - a partir dos seminários e casas de formação - e aos outros agentes de pastoral;
·       Que o CELAM e a Equipe de Articulação elaborem um documento sobre o novo rosto das Comunidades Eclesiais de Base;
·       Que as Conferências Episcopais promovam um acompanhamento mais próximo às CEBs nomeando um ou mais bispos responsáveis ​​por esta tarefa onde ainda não existe;
·       Retomar Medellin, Puebla e Aparecida, documentos fundamentais para a identidade eclesial das CEBs.

Agradecemos a Deus e a nossa mãe Maria esta reunião de diálogo fraterno e convidamos todas as pessoas a seguir em frente com a esperança posta em Jesus, que caminha conosco e cujo Espírito nos guia e nos fortalece, neste tempo de graça que o Senhor nos dá.


Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em 05 de maio de 2016.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Frei Antônio Moser


Rua México, 51 – Sala 501 – Centro
Tel.:21.2524-9761 - Rio de Janeiro - 20031-144
Associação sem fins lucrativos, filiada à Abong



Nota de pesar do Iser Assessoria
pelo trágico falecimento de Frei Antônio Moser, OFM

Frei Antônio Moser, frade franciscano, era professor de Teologia Moral desde 1972 no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, publicou vários livros e inúmeros artigos e, desde 1998, era diretor da Editora Vozes, que ele, junto com uma equipe, conseguiu reerguer, depois de uma fase de dificuldades financeiras. Além do trabalho acadêmico e administrativo, sempre teve uma atuação pastoral importante em Piabetá, Baixada Fluminense, e em comunidades da periferia de Petrópolis. Há muitos anos mantinha o programa Pelos Caminhos da Fé na TV Canção Nova. Dirigiu a obra de construção do novo Instituto Teológico dos Franciscanos (ITF), nos anos 90, onde antes era o Colégio São Vicente.
Desde a assembleia de fundação do Iser Assessoria, em 1995, Frei Moser fez parte da diretoria, ocupando diversas funções nesses vinte anos, sempre apoiando nossos projetos e trabalhos de pesquisa e assessoria às Comunidades Eclesiais de Base e aos movimentos sociais.
Em outubro do ano passado, ele foi o único teólogo brasileiro nomeado pelo papa Francisco para o Sínodo da Família, em Roma.
É uma perda muito grande. Sua morte se soma às milhares de vítimas da cruel violência que domina nossa sociedade. Como São Francisco, de quem era seguidor, temos certeza que ele partiu rezando “onde houver ódio, que eu leve o amor!”

Ivo Lesbaupin – Secretário executivo

PRONUNCIAMENTO DO CONSELHO COORDENADOR DA IGREJA PRESBITERIANA UNIDA DO BRASIL SOBRE O MOMENTO POLÍTICO DO BRASIL E AS AÇÕES DA OPERAÇÃO LAVA JATO


O Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – CC-IPU, tendo em vista o agravamento da crise política do país cujo ápice se deu com as recentes ações realizadas pela Operação Lava Jato, responsável pela investigação de políticos e empresários supostamente envolvidos em prática de crimes de corrupção, dirige-se aos presbitérios e igrejas a ela jurisdicionados e à sociedade brasileira em geral, em especial à classe política e aos operadores da justiça (Judiciário, Polícia Federal, OAB e Ministério Público) e faz o seguinte
PRONUNCIAMENTO:
1 - A IPU, igreja herdeira da Reforma Protestante, sempre pautará sua conduta pelos padrões de ética e justiça bíblicos e defende que a sociedade brasileira - sejam cristãos, seguidores de tradições religiosas não cristãs e os sem religião - tenha direito a viver em um país sob o império do estado de Direito, da justiça e da ética, sem distinção de classes, credos, raças ou qualquer outro padrão social convencionado;
2 - A IPU, igreja fundada em 1978, período obscuro da recente história brasileira, oriunda de um presbiterianismo que, de um lado, se aliou à ditadura militar e abraçou o estado autoritário, para dele também tirar proveito, negando o Pronunciamento Social da Igreja Presbiteriana de 1962, mas que, de outro lado, ofereceu mártires em defesa da causa dos pobres e das liberdades políticas, sempre será fiel às suas raízes e fará ecoar a voz profética da Justiça que deve correr como os ribeiros (Amós 5.24);
3 - A IPU defende o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato, que elas sejam simétricas, sem privilegiar ou discriminar quaisquer partidos políticos, buscando-se o alcance da justiça, aplicando-a a quem quer que seja (doa a quem doer), leve o tempo que levar, sempre sob os auspícios do estado de Direito, da lei e da serenidade que devem pautar os agentes públicos, em especial os operadores da justiça;
4 - A IPU condena, veementemente, o caráter midiático e teatral que os coordenadores da chamada Força Tarefa da Lava Jato têm dado antes, durante e após o cumprimento de cada fase da Lava Jato. Essa espetacularização de atividades meramente investigativas tem criado um caldo de cultura pernicioso, permeado pelo ódio ao que pensa diferente e que, caso não haja cautela da parte daqueles que conduzem tais investigações e da elite política deste país, poderá se degenerar e transformar nossas ruas em palcos de banhos de sangue;
5 - A IPU condena o vazamento seletivo de trechos de depoimentos, sejam de acusados, investigados ou delatores, sempre dirigidos, previamente, a alguns órgãos de comunicação que entregam um produto de conteúdo nem sempre imparcial e justo;
6 - A IPU coloca sob suspeição e alerta os membros de suas igrejas a verem com espirito crítico e com ceticismo conteúdos de delações premiadas que passam a ser tomados como sentenças condenatórias de agentes públicos, sem que tenha havido o devido processo penal, a produção de provas e o direito ao contraditório dos acusados;
7 - A IPU alerta que os delatores da Operação Lava Jato são os mesmos que, na surdina e nos arranjos inescrupulosos deste e de governos de épocas anteriores, se locupletaram às custas do país e não tiveram escrúpulos e, mais uma vez, como os ratos que abandonam o navio prestes a submergir, buscam salvar a sua própria pele;
8 - A IPU, com base no Pronunciamento das Igrejas Históricas contra a corrupção, por ela e por outras igrejas assinado e publicado em setembro de 2014, reitera que a corrupção que grassa em nosso pais vem de longa data e é filha de um sistema político mal articulado que sempre se pautou pela busca de financiamento privado de campanhas, transformando o Congresso Nacional em verdadeiro representante do poder econômico e não do povo, sendo que cerca de 70% de seus membros são representantes diretos de grandes grupos econômicos e financeiros, nacionais e estrangeiros, sediados no país;
9 - A IPU reitera que a verdadeira Justiça provém de Deus e que toda justiça humana é incompleta e imperfeita, mas deve ser permanentemente buscada, no entanto, não deve ser almejada a qualquer preço. Justiça a qualquer preço é justiçamento e, como tal, não há nenhuma diferença entre levar qualquer investigado preso, mediante condução coercitiva, sem a devida intimação judicial prévia, quanto linchar um pobre jovem negro transgressor e amarrá-lo em um poste, em praça pública, buscando fazer "justiça com as próprias mãos";
10 - Como bem supremo, a justiça deve ser buscada, mas a IPU alerta o povo de Deus que nela se reúne: fuja da justiça dos hipócritas escribas e fariseus dos dias atuais (Mateus 5.20). Muitos desses são políticos que respondem a processos criminais e igualmente estão sob suspeição por práticas delituosas. Para buscar a justiça, desconfiem daqueles que, em nome dela, defendem a pena de morte, a redução da maioridade penal, a volta da ditadura militar e desrespeitam o direito das minorias, em especial negros, índios, homossexuais e adeptos de religiões não cristãs ou sem religião;

A IPU conclama o povo de Deus que nela se reúne para se colocar, permanentemente, em oração pela nossa pátria. Que ela seja, verdadeiramente, pátria de todos e de todas, onde o direito e a justiça corram como rio perene.
Vitória, 8 de março de 2016.
Presb. Wertson Brasil de Souza
Moderador do CC-IPU
Presb. Elson Rubens dos Santos
Vice-Moderador do CC-IPU
Presb. Sérgio Augusto Miranda
1º Secretário do CC-IPU
Presb. Wilson Tadeu de Carvalho Eccard
2º Secretário do CC-IPU
Presb. Davi Freitas Natal
Tesoureiro

terça-feira, 8 de março de 2016

A grande mídia e a tentativa de golpe

A grande mídia e a tentativa de golpe

"Embora boa parte da grande mídia já tenha decidido pelo impeachment da presidente, faltam ainda provas para incriminá-la. O que temos visto nos últimos 16 meses é a busca incansável de um crime para justificar o que já foi decidido", escreve Ivo Lesbaupin, do Iser Assessoria

O golpe civil-militar de 1964 não surgiu do nada: ele foi preparado durante três anos, desde o momento em que João Goulart assumiu a presidência do país, após a renúncia de Jânio Quadros. A mídia teve um papel fundamental para criar o clima necessário à adesão ao golpe, inclusive para fomentar as famosas “Marchas da Família com Deus pela Liberdade”.

Ficaram famosos os editoriais do jornal O Correio da Manhã às vésperas da derrubada de Jango: no dia 30 de março, o editorial, estampado na primeira página, era intitulado: “Basta!”; no dia 31 de março, o título era “Fora!”. Os editoriais eram a senha para a mobilização das tropas. E no dia 1º. de abril, os militares tomam o poder. Fato comemorado pelo O Globo, o Jornal do Brasil, a Folha de São Paulo e o Estadão nos dias seguintes.

Os fatos destes últimos dias são muito significativos: num dia, sai a revista Isto É, com uma matéria com vazamento de trechos da delação premiada do senador Delcídio Amaral, onde é ressaltado o envolvimento de Lula e de Dilma em fatos investigados  pela Operação Lava-Jato. A revista saiu na quinta-feira, um dia antes de sua saída habitual, sexta-feira. Na mesma noite de 5ª feira, o Jornal Nacional dedica 40 minutos à matéria sobre a delação premiada de Delcídio. Um jornal que dura normalmente 30 minutos demora mais de 1 hora e 20 minutos, dos quais 40 são para reforçar a suspeição sobre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Este jornal nacional “especial” não tinha justificativa: ele poderia, como muitas vezes acontece, dedicar um tempo maior para a referida matéria, dentro, porém do tempo habitual do jornal. Mas, não: foi só acusação – sob a aparência de isenção – com mínimo direito a defesa.

No dia seguinte, às 6 horas da manhã, o ex-presidente Lula é acordado por uma tropa de policiais federais para ser levado a depoimento – “condução coercitiva” -, ao mesmo tempo em que o Instituto Lula é invadido e vários familiares do ex-presidente são interpelados. A ordem veio do juiz que dirige a Operação Lava-Jato, Sérgio Moro. A operação na casa de Lula é fartamente divulgada durante toda a manhã desta sexta-feira. O depoimento de Lula na Polícia Federal termina por volta de meio-dia.

Não pode ser coincidência o lançamento da revista na 5ª feira, o Jornal Nacional inabitualmente estendido da noite deste dia e a operação de “condução coercitiva” do dia seguinte com farta publicidade. Parece uma “armação”, para dizer o mínimo. É inevitável pensar que tudo isso visa animar as manifestações pró-impeachment da presidente Dilma programadas para o dia 13 de março (coincidentemente, data do famoso comício de Jango na Central do Brasil, em 1964, às vésperas do golpe).

Embora boa parte da grande mídia já tenha decidido pelo impeachment da presidente, faltam ainda provas para incriminá-la. O que temos visto nos últimos 16 meses é a busca incansável - pela oposição de direita, apoiada pela grande mídia - de um crime para justificar o que já foi decidido. O vazamento de trechos da delação premiada de Delcídio finalmente estaria oferecendo este elemento – ao menos, na opinião da grande mídia. Segundo os próprios procuradores, no entanto, até agora o que temos são depoimentos, indícios, suspeitas, ainda não se trata de provas. A oposição de direita e a grande mídia esperam que as próximas manifestações consigam “preencher” a falta de provas, daí a importância da cobertura carregada – para dizer o mínimo - dos últimos dias. As manifestações cumpririam o papel das “Marchas da Família” de 1964.

É preciso esclarecer que sempre defendemos a apuração de todos os casos de corrupção, venham de onde vier. Eis porque denunciamos, desde a famosa “CPI do Orçamento” (1993), o papel das grandes empreiteiras junto aos governos: na época, o senador José Paulo Bisol declarou que elas eram um “governo paralelo” no país. Tentou-se criar uma “CPI das Empreiteiras”, mas ela feriria os interesses dos principais partidos, especialmente dos que estavam no poder ou tinham a pretensão de chegar lá proximamente. Resultado: tal como a mais recente “CPI do Cachoeira”, não emplacou.

Consideramos de extrema importância o que vem ocorrendo na Operação Lava-Jato, a investigação de casos graves de corrupção, envolvendo empresas do setor privado e do setor público para obter favores do governo. No entanto, uma verdadeira investigação da corrupção não pode ser dirigida por um viés seletivo: neste caso, falta a imparcialidade característica da justiça, pois o que temos visto é que só há corruptos, perseguidos, interpelados, de um lado do espectro político. Os nomes citados do outro lado aparecem por minutos na cena e logo depois desaparecem. Sobre vários políticos do outro lado – inclusive líderes de partido – já foram levantadas suspeitas, de peso igual ou maior que as que são lançadas contra políticos do PT. Mas nada acontece contra eles. O objetivo é claro: “colar” a pecha da corrupção num único partido, para tirá-lo do caminho e abrir espaço para os outros (ou melhor, um outro).

Não, a corrupção não começou com o PT, ela é endêmica no sistema político de nosso país: esteve presente em todos os governos, inclusive durante a ditadura, lá estão os esquemas de corrupção envolvendo grandes empresas, financiamento de campanhas e de partidos, figuras dos governos (de diferentes partidos). Odebrecht, OAS, Camargo Correia, Andrade Gutierrez são conhecidas publicamente pelo menos desde 1993. Não começaram agora.

Mas agora, em razão de vários fatores, apareceu a chance de investigar a fundo. Ótimo, haja investigação, descubram-se os canais de corrupção, os envolvidos. Mas sem parcialidade.

Do contrário, é tentativa de golpe.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Saneamento e a escassez qualitativa da água.



Roberto Malvezzi (Gogó)

Quando Pero Vaz de Caminha chegou ao litoral brasileiro, além da admiração pelos índios e índias, pela exuberância da floresta litorânea, ele fica deslumbrado com a quantidade de águas. Vai escrever ao rei:  “águas são muitas; infinitas. Em tal maneira graciosa (a terra) que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das aguas que tem! ”. Frase que depois, falsificada, fica reduzida a “nesse país em se plantando tudo dá”.
Quando o Brasil elaborou seu Primeiro Plano Nacional de Recursos Hídricos, participei com poucas pessoas do Nordeste para inserir no Plano a captação da água de chuva. Juntando várias fontes o Plano concluía que temos aproximadamente 13,8% das águas doces mundiais em território brasileiro.
Temos a maior malha de bacias hidrográficas do planeta, além do que somos o único país do mundo de dimensões continentais que tem chuva em todo território nacional. Outros países como China, Estados Unidos e Austrália tem imensos desertos em seus territórios.
Os dois maiores aquíferos do mundo estão em grande parte em território brasileiro, como o Alter do Chão na Amazônia e Aquífero Guarani que abrange regiões do sul e sudeste, além de outros países do cone sul.
Ainda mais, os rios voadores que saem da Amazônia chegam até Buenos Aires – para outros até à Patagônia – e são os responsáveis pelas chuvas que caem em todo esse vasto território da América Latina.
Nem mesmo a propalada diferença de quantidade de água de região para região pode ser alegada como problema. O Semiárido, com um milhão de quilômetros quadrados, com uma média de 700 mm/ano, tem capacidade instalada para armazenar apenas 36 dos 700 bilhões de m3 que caem sobre esse território todos os anos.
Onde está, então, nosso problema? Exatamente na abundancia, nos ensinava o já falecido Prof. Aldo Rebouças. Ela nos tornou perdulários e, junto com a cultura predadora construída desde a fundação do Brasil, passamos a maltratar as nossas águas.
Aos poucos estamos perdendo não só a abundancia pela destruição do ciclo de nossas águas – desmatamento da Amazônia e do Cerrado -, mas transformando nossos corpos d’água em depósitos de esgotos e de lixo. São as mineradoras – vide Samarco -, dejetos industriais, domésticos, hospitalares, agrícolas e resíduos sólidos como lixo doméstico e restos de construções. Basta olhar para o rio São Francisco.
Dessa forma, além de estarmos provocando a escassez quantitativa, estamos provocando a escassez qualitativa, isto é, os mananciais estão diante dos nossos olhos – Pinheiros e Tietê em São Paulo -, mas suas águas são imprestáveis para qualquer tipo de uso.
Nesse sentido, mais uma vez, a importância da Campanha da Fraternidade sobre o saneamento básico. Ao coletar e tratar os esgotos, manejar adequadamente os resíduos sólidos, estaremos dando a maior contribuição para superar a escassez qualitativa de nossas águas.
Alerta: cientistas e juristas que estiveram na elaboração do conteúdo do Texto Base da CF, nos alertam que o governo está focando a luta contra as doenças em evidência no combate ao mosquito, desviando o foco do fundamento básico do saneamento. 

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