terça-feira, 2 de abril de 2013

CEBs e desafios do mundo contemporâneo


CEBs e desafios do mundo contemporâneo

As comunidades eclesiais de base (CEBs) constituem uma das mais significativas experiências da Igreja Católica na América Latina. Elas surgiram num conjunto de iniciativas pastorais que repercutiram o Concílio Vaticano II em nosso continente. O Concílio apontava para três grandes desafios: a descolonização, pedindo que cada Igreja superasse o predomínio europeu e revelasse seu próprio rosto; a descentralização, pedindo que surgissem instâncias de comunhão e participação; e a desclericalização, que convocava o protagonismo dos leigos e leigas para a missão. Ao longo dos últimos 50 anos, as CEBs viveram esse sonho conciliar, através de um “novo modo de ser Igreja” gestado numa dinâmica que parte da proposta de uma Igreja Povo de Deus, congregando gente que se engaja no seguimento de Jesus para a missão evangelizadora.
Os bispos latino-americanos, no Documento de Aparecida, afirmam que as CEBs são “escolas que tem ajudado a formar cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e missionários do Senhor, como testemunhas da entrega generosa, até mesmo com o derramar do sangue de muitos de seus membros”(DAp 178).
Hoje, existem milhares de CEBs espalhadas pelo Brasil, e seus membros continuam engajados nas transformações da Igreja e da sociedade local e nacional. Passados 50 anos da convocação do Vaticano II, é importante perceber os grandes desafios que se apresentam para a Igreja neste início de século, e as interpelações e reflexões sobre como orientar a caminhada das comunidades em sua ação pela transformação do mundo em fidelidade à proposta de Jesus.
As CEBs são um bom exemplo para quem busca relançar, retomar e reanimar o espírito conciliar na Igreja Católica. Esta é, sem dúvida, a melhor maneira de celebrar os 50 anos do Vaticano II.
Ao longo da caminhada, a atuação das comunidades tem sido apoiada por uma rede de assessores e assessoras, pessoas que têm um conhecimento específico sobre diferentes temas e que colocam esse saber a serviço da caminhada das comunidades. O surgimento de novas gerações de assessores e assessoras, agentes de pastoral e animadores de comunidade exige um esforço continuado de formação dessas pessoas para melhor desempenhar suas tarefas e ajudar as CEBs neste caminho reflexivo e em suas práticas religiosas e sociais.
Tendo em vista essa necessidade, uma parceria entre o Iser Assessoria e o Setor CEBs da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB promoveu, ao longo de 2011, quatro Seminários para assessores e assessoras de CEBs, reunindo cerca de 100 pessoas de todos os 17 regionais em que o país está dividido pastoralmente.
Concluindo esse projeto, resolvemos reunir numa publicação os artigos dos diversos peritos e peritas presentes nos seminários.
A primeira parte traça a caminhada histórica das CEBs, desde o Vaticano II (1962-1965) até Aparecida (2007). As contribuições de José Oscar Beozzo e de Daniel Higino reconstroem essa trajetória cheia de avanços e percalços. Dentro desse panorama histórico, as CEBs deixaram sua marca nos sucessivos Encontros Intereclesiais. O Pe. Alfredinho, com sua contribuição, partindo da imagem do trem das CEBs, mostra o encadeamento dos temas que devem animar a caminhada das comunidades através de sugestivas “estações” em que o trem deve fazer suas paradas de reabastecimento. Completando essa parte, o artigo de Josenildo Francisco de Lima aborda o momento de crise das CEBs, com o sugestivo subtítulo “Entre a perseguição e o martírio por fidelidade aos pobres”.
A segunda parte trata especificamente do assunto do seminário. Sérgio Coutinho e Solange S. Rodrigues, a dupla que organizou e animou os seminários, escrevem sobre a identidade e a diversidade das CEBs diante do atual quadro sociopolítico e eclesiástico. Completa essa unidade o testemunho vivo que nos é dado por Mercedes de Budallés sobre a identidade e a diversidade presentes na vida das CEBs do Centro-Oeste.
A terceira parte reúne uma série de artigos sobre os desafios do mundo contemporâneo que interferem na vida e na organização das CEBs. Ivo Lesbaupin nos coloca diante da atual conjuntura socioeconômica. Roberto “Gogó” Malvezzi retrata a caminhada das CEBs diante dos desafios do semiárido. Lúcia Ribeiro aborda as relações de gênero na vida das comunidades. Sílvia Fernandesanalisa as CEBs diante dos desafios do pluralismo religioso. Por fim, Fernando Altemeyer Jr. aponta para o futuro das CEBs diante da cultura urbana.
A quarta parte traz uma contribuição escrita a seis mãos por Nelito Dornelas, Pedro Ribeiro de Oliveira e Tereza Cavalcanti sobre o papel de um assessor e de uma assessora pastoral nas CEBs.
Graças à Editora Paulus, esta publicação torna-se uma realidade. Esperamos que ela possa servir a todas as pessoas envolvidas na preparação e na animação do 13º Intereclesial de Juazeiro do Norte, em janeiro de 2014, quando então todas as CEBs se colocarão em romaria para celebrar a vida e a caminhada nos sertões do Padre Cícero.

ENTRE VÓS SEJA ASSIM

ENTRE VÓS SEJA ASSIM - A Igreja Organizada a partir de Comunidades de BaseFrei Toni Michels, 2013, 56p.
Vendo seus discípulos discutir sobre quem deles seria o maior, Jesus os chamou e disse: “Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vós não seja assim: ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos” (Mc 10,42-45).

Tomamos a frase de Jesus de forma positiva - ENTRE VÓS SEJA ASSIM - como título deste caderno que trata da organização e coordenação das CEBs. Trata-se de passar de uma pastoral centrada na hierarquia para uma pastoral centrada no Povo de Deus.

O ponto de partida deste caderno foi o documento Que todos sejam um, nascido de um processo sinodal da Diocese de Duque de Caxias. O texto não tem a pretensão de ser uma receita. Quiçá possa servir para algumas Igrejas Locais, com suas comunidades e paróquias, neste processo de concretizar novos jeitos de ser Igreja que levem a sério a participação e a comunhão efetivas de todos os consagrados e consagradas pelo batismo.

Esta cartilha apresenta uma reflexão sobre práticas concretas que geram mecanismos de comunhão e participação na animação de uma igreja de CEBs.
Preço de Lançamento:
R$ 6,00 R$ 5,00
(+ correio)
EncomendasIser AssessoriaTel.: (21) 2524-9761 

O Espírito Ecológico nas CEBs


O Espírito Ecológico nas CEBs: Partilhando experiências do semiárido, de Roberto Malvezzi (Gogó).
Este é o título da segunda de uma série de cartilhas, com o objetivo de contribuir na formação e animação das Comunidades Eclesiais de Base, tendo em vista o 13° Encontro Intereclesial de Cebs, de 7 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro, Ceará.
Roberto Malvezzi (Gogó) reúne nesta cartilha experiências do povo das CEBs que aprendeu a sobreviver enfrentando as exigências da natureza e os desafios da desigualdade social implantada pelo sistema sócio-político brasileiro.
Lutar pela vida na caatinga deu forças ao povo para enfrentar e sobreviver aos  coronéis que controlavam tudo e todos desde o tempo do Brasil Colônia. Formadas pela dureza da vida, hoje estas comunidades sentem-se chamadas a combater os novos coronéis que querem transposições de rios, projetos do agronegócio, usinas nucleares, novos empreendimentos capitalistas que deslocam  populações e destroem a natureza.
Esta luta centenária serviu para despertar nas comunidades o espírito ecológico, já presente nas lutas dos profetas antigos, como Ibiapina e Cícero Romão e que hoje anima a luta de dom Luiz Flávio Cappio e de tantos outros e outras que lutam contra projetos e interesses que destroem o ambiente e a vida.
Os encontros nesta cartilha querem nos ajudar a acolher e a viver uma espiritualidade ecológica.

Valor unitário: R$ 3,50 (+ correio) = R$ 5,00
5 exemplares: R$ 15,00 (+ correio) = R$ 22,00
10 exemplares: R$ 30,00 (+ correio) = R$ 38,00

EncomendasIser AssessoriaTel.: (21) 2524-9761 iserassessoria@iserassessoria.org.br

terça-feira, 19 de março de 2013

Romaria da Amizade



Romaria da Amizade 

 As CEBs de todo o Brasil
se preparam para uma grande Romaria. Elas se colocarão em caminhada para o 13° Encontro Intereclesial de CEBs, 
que acontecerá em janeiro de 2014, 
em Juazeiro do Norte, Ceará, 
 terra do padre Cícero e de todos os romeiros e romeiras. 
 Até lá, muitas romarias serão feitas, mobilizando milhões de pessoas, 
que se dirigem aos muitos santuários espalhados por todo o Brasil. Tem gente que vai a Aparecida, ou a Canindé, 
ao Círio de Nazaré ou aos vários santuários do Bom Jesus,
seja o de Iguapé, o da Lapa ou o de Pirapora... 
Os romeiros e romeiras, em suas caravanas comunitárias, 
partilham a vida, a fé, a devoção, as preces e os cantos,
próprios de um acontecimento assim. Mas, principalmente, cultivam a amizade, 
as boas conversas, a memória dos "causos" e tudo aquilo que faz parte da vida cotidiana das pessoas, seja na cidade, seja na roça. Romeiros vêm de todo lugar, trazendo aquilo que viveram e experimentaram e, com muito gosto, querem compartilhar tudo com os outros! 
Esta cartilha traz um relato muito animado de uma romaria entre Recife e Juazeiro do Norte, registrado por Reginaldo Veloso. Reginaldo tem uma longa caminhada de vida, de CEBs e de romarias. 
Aqui, ele partilha conosco uma experiência, como ele mesmo diz, "que já leva mais de 20 anos".Vale à pena, através da leitura deste livrinho, nos juntarmos às pessoas que se colocam a caminho, 
professando sua fé e cantando junto. 
Bendita e louvada seja - Esta santa romaria Bendito o povo que marcha -Tendo Cristo como guia (Zé Vicente) 
Valor unitário: R$ 3,50 (+ correio) = R$ 5,00 
5 exemplares: R$ 15,00 (+ correio) = R$ 22,00 
10 exemplares: R$ 30,00 (+ correio) = R$ 38,00 
Encomendas: 
Iser Assessoria Tel.: (21) 2524-9761 iserassessoria@iserassessoria.org.br 
Esta publicação é resultado de um projeto de Formação 
para assessoras/es de Comunidades Eclesiais de Base, 
em parceria com o Setor CEBs da Comissão Episcopal 
para o Laicato da CNBB, 
com apoio do Fundo:
Nacional de Solidariedade-CNBB/Cáritas Brasileira, 
de DKA-Áustria e Adveniat.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Curso do Rio 2012



Juventude e Participação Social


23 a 27 de Julho de 2012
 (segunda a sexta, das 8 às 18 horas)

Local: Centro Pastoral 
Rua Haddock Lobo, 266 – Tijuca - Rio de Janeiro, RJ
(atrás da igreja dos Capuchinhos)




Programa

Análise Social
Segunda: - Um olhar sobre a Juventude na atualidade - Solange Rodrigues - socióloga, Iser Assessoria
Terça: - Experiências de mobilizações juvenis – painel - Patrícia Lanes - antropóloga, Ibase
Quarta - Juventude e política - Marina Ribeiro – pedagoga, Ibase
Aprofundamento bíblico, teológico e pastoral
Quinta - Juventude e comunidade cristã. Um olhar a partir da Bíblia - Francisco Orofino – biblista, CEBI, Iser Assessoria
Sexta: - Pistas de Ação (construção coletiva)
Apresentação das oficinas e Celebração de encerramento - Névio Fiorin – Iser Assessoria


Programa básico do dia:
08h00 - Chegada
08h15 - Momento de Espiritualidade
08h30 - Exposição da assessoria
10h00 - Grupos de estudo
12h00 - Almoço
13h30 - Plenário / Oficinas
17h30 - Celebração
18h00 - Encerramento do dia


O que é o Curso do Rio
O Curso do Rio, promovido pelo Iser Assessoria em parceria com leigas e  leigos que atuam em diferentes pastorais, é um espaço de formação teológico-pastoral e sócio-política, de partilha de experiências comunitárias e de celebração da fé.
Refletindo sobre as novas questões e os desafios da prática social, tem como objetivo capacitar pessoas para desenvolverem atividades que favoreçam a cultura da paz e dos direitos humanos e incentivá-las a participarem de forma organizada na transformação da sociedade brasileira.
Trata-se de um curso:
Popular: dirigido a leigos e leigas que atuam nas comunidades, pastorais, projetos e movimentos sociais;
Ecumênico: lugar de partilha e comunhão entre pessoas de diferentes Igrejas ou religiões;
Participativo: o curso é feito em mutirão envolvendo participantes e suas comunidades, voluntários das equipes de serviço, oficinas, assessores e conta com o apoio de diversas comunidades e instituições.


Oficinas:
As oficinas, dentro da proposta metodológica do Curso do Rio representam um espaço de aprendizado, onde a partilha do saber é concretizada. São instrumentos que ajudam a traduzir, em novas linguagens, os conteúdos apreendidos e vividos no curso. Têm como base os princípios da Educação Popular e visam encontrar formas descontraídas e dinâmicas que ajudam nos trabalhos das comunidades e ou movimentos. As oficinas não visam formar técnicos, mas oferecer uma base importante para se iniciar um trabalho.  Cada participante fará uma oficina. Na inscrição assinale duas opções (para o caso de alguma já estar preenchida.

01. Dança - A oficina trás a proposta de experimentar e trabalhar o corpo através da dança, que possibilita o conhecimento de si e a partilha com o outro, buscando assim o bem-viver.
Oficineira: Adriana Alves de Souza - Sociedade cultural Projeto Luar de Dança.

02. Fotografia, mídia e redes sociais: - Esta oficina tem como objetivo explorar as possibilidades de documentação visual das atividades realizadas pelas comunidades, projetos, movimentos sociais e pastorais.
Oficineiro: GEFEP - Luizinho

03. Leitura Popular da Bíblia na linguagem da Juventude -  A oficina trabalha a partir de textos bíblicos para aprofundar o tema do Curso deste ano. Utiliza-se a metodologia do CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, a saber: refletir a Palavra, em grupo ou em Comunidade, partindo sempre da Realidade.
Oficineiro/a: CEBI-RJ

04. Metodologia do trabalho com jovens - A oficina se propõe trabalhar sobre as diferentes formas de ação com grupos juvenis e de adolescentes, a partir das práticas empregadas em projetos sociais e igrejas
Oficineiro/a: 

05. Políticas públicas de Juventude - A oficina busca refletir sobre as principais questões que dizem respeito aos/às jovens, como os aspectos de sua situação atual e suas demandas. Além disso, busca apresentar possibilidades metodológicas para potencializar o trabalho com a juventude e sua organização
Oficineiro/a: Fórum da Juventude (a confirmar)

06. Teatro Popular: - Tem como objetivo favorecer o conhecimento pessoal e de grupo e iniciar as pessoas na metodologia de teatro popular para que possam nas suas comunidades trabalhar a representação de maneira simples e fácil para chamar a atenção para os problemas e construir soluções coletivas.
Oficineiro/a: Sidney Guedes

(Na ficha de inscrição assinale duas opções de oficina, bastando indicar o número)

Destinatários:
O Curso se destina, principalmente, a pessoas que atuam em Comunidades, pastorais sociais, projetos comunitários e movimentos sociais.
Neste ano teremos um Curso do Rio mais temático. O Curso continua aberto, mas nos interessa neste ano, sobretudo, reunir pessoas que trabalham com juventude, que estejam assumindo atividades com juventude, ou estão dispostos a atuar nesse campo.
Claro que o Curso do Rio seguirá com a linha de formação da consciência crítica, do protagonismo dos leigos e leigas e da ação sociopolítica transformadora da realidade.

Despesas:
Contribuição Solidária: R$ 45,00 (Para gastos de secretaria, material, lanches).
Outras despesas por conta dos participantes: almoço (haverá opção local a preço popular) e transporte local durante o curso.
O envolvimento das comunidades neste mutirão de formação é muito importante.

Hospedagem: - Os participantes que moram na cidade do Rio retornarão para suas casas ao final de cada dia do curso. Para aqueles que vêm de longe será providenciada hospedagem junto a comunidades, escolas, creches etc. Hospedagem em casa de parentes e amigos é a melhor opção.

Como chegar: - Da Estação de trem São Cristóvão são aproximadamente 1.500 metros. De metrô, fica perto da Estação Afonso Pena.


FICHA DE INSCRIÇÃO - até 15 de julho!
corte e cole o questionário abaixo num email para crio@iserassessoria.org.br

Nome completo:
E-mail:
Endereço (completo com CEP):
Tel.: residencial:
Celular:

Faixa etária (mínimo 16 anos, com atuação no campo social):
[deixe apenas a opção correta, apagando as outras]
a) 16-20 anos
b) 21-30
c) 31-40
d) 41-50
e) 50-65
f) mais de 65 anos

Escolaridade:
a) Ensino fundamental (até 8ª série)
b) ensino médio
c) superior


Você é:
a) evangélico. De qual Igreja:
b) católico.
c) Outra religião. Qual?

Você precisa que a organização do Curso providencie hospedagem para você:
a) SIM
b) NÃO

Você pode hospedar alguém?
a) SIM
b) NÃO

Atua em alguma organização social e política? Qual? Que função exerce? .....................

Exerce alguma atividade religiosa? Qual? Que função exerce? .............

Em qual oficina gostaria de participar:
1ª opção:
2ª opção:


Informações: Iser Assessoria -  Telefone: (21) 2262.8162
email para   crio@iserassessoria.org.br

terça-feira, 3 de abril de 2012

Rede Fé e Política realiza Fórum de Lançamento da 5ª Semana Social Brasileira


Um Fórum realizado no Sindipetro fez o Lançamento da 5ª Semana Social Brasileira no Rio de Janeiro. O evento, que aconteceu no dia 31 de março de 2012, foi uma parceria entre a Rede Fé e Política do Estado do Rio de Janeiro e o Sindicato dos Petroleiros.
Estiveram presentes cerca de 100 pessoas, lideranças das pastorais, militantes de movimentos sociais, de diversos municípios do estado do Rio de Janeiro.
O Fórum teve como objetivo reunir lideranças das Comunidades e militantes dos movimentos sociais para dar início à discussão da 5ª SSB que tem como tema “Estado para quem?”. Outra pauta importante é a necessidade de repensar a sociedade como um todo e o modelo de Estado a partir da crise civilizacional, ecológica, econômica, política.
Todo o dia nos defrontamos com as contradições do modelo de Estado que temos. É mínimo, quando se trata de atender as necessidades e os direitos do povo. Mas é ativo e põe em curso todo seu poder quando estão em jogo os interesses das grandes corporações.
A 5ª SSB se insere no contexto da luta pela democratização do Estado e da participação da Constituinte. Agora, para celebrar em 2013 os vinte e cinco da Constituição Cidadã, a 5ª SSB vem propor um grande mutirão da Sociedade Brasileira para impedir recuos e realizar os avanços legais imprescindíveis para que o Estado possa atender adequadamente as necessidades dos grupos excluídos, da biodiversidade e da vida no Planeta.
O Fórum contou com assessoria de Virginia Fontes, Ivo Lesbaupin e Emmanuel Cancella.
Primeira a falar, Virgínia Fontes, professora aposentada da Universidade Federal Fluminense e atual professora da Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST, falou sobre “O Estado que Temos”. A mesma lançou recentemente um livro intitulado “O Brasil e o capital-imperialismo”. Segundo Vírginia, após ver o subsídio de reflexão sobre a 5ª SSB, disse que existem diferenças entre os Estados e destacou que a hegemonia hoje no mundo é dos “Estados Capitalistas”. Dessa forma, ”A existência do Estado está associado às classes sociais e sua organização. Ele é um modo de ser e precisa se expandir infinitamente. Sua lógica não considera os limites da natureza. O capitalismo cria uma relação social muito peculiar. Ele tem uma condição social e uma forma de existir. É uma produção de seres expropriados, pois a exploração só é possível se uma massa de pessoas estiver dentro das expropriações. São quatro os tipos de expropriação: da terra, do saber operário, do trabalho coletivo e por último a expropriação do direito”. Por fim, disse que os Estados capitalistas tentam impedir as lutas internacionais dos trabalhadores, que se organizem, aprisionando os cidadãos em seus Estados. Por isso, a forma de democracia atual é falsa, pois não permite que os pobres discutam, porque são pobres.

Em seguida, Ivo Lesbaupin da Ong Iser Assessoria que falou sobre “O Estado que Queremos”. Chamou atenção sobre o nosso atual padrão consumista que é insustentável. Lembrou uma frase de Leonardo Boff que disse “a terra não precisa de nós, nós é quem precisamos dela”. Ressaltou a importância da mudança de concepção do modelo desenvolvimentista vigente em nosso país. Indagou-nos sobre a possibilidade de um outro tipo de desenvolvimento, uma outra economia. A partir daí apresentou algumas propostas que já vem sendo realizadas no Brasil por movimentos sociais, tais como, “na agricultura temos um bom acúmulo, a agricultura familiar. Para o semi-árido a ASA é um bom exemplo. A convivência com o semi-árido, através da campanha das cisternas. O pessoal irá construir uma cisterna na Cúpula dos Povos. É preciso mudar nossa matriz energética passando para energias renováveis como a eólica, solar, etc. O nosso país pode ser uma referência nesse campo. É preciso desenvolver a campanha “Desmatamento Zero”. A fabricação de bens precisa mudar, pois a cada três meses nossos equipamentos quebram. Por exemplo, nos EUA existe uma lâmpada incandescente que está acessa a mais de 100 anos. Indicou para o documentário “Comprar-jogar fora-comprar A história da obsolescência planejada”, o motor secreto da sociedade de consumo. Os transportes também devem mudar do rodoviário para o trilho. Por fim, destacou a importância de nossa participação, em junho, na Cúpula dos Povos, pois é um espaço de construção coletiva da proposta de um outro desenvolvimento possível e necessário para o planeta Terra.
Logo depois, Emanuel Cancella, presidente do Sindipetro, abordou o tema “Transformações recentes do Estado e os impactos na sociedade brasileira”. Como destaque falou sobre a Geopolítica de Energia brasileira. Destacou que não se trata apenas do petróleo, mas da energia como um todo. Lembrou que “antes do presidente Fernando Henrique havia o monopólio da Petrobrás, mas ele o quebrou. Lula criou uma lei melhor do que a de FHC. No entanto, denunciou o “Sh-Eike Batista”, que ganhou um leilão de petróleo sem ter um navio e nem um trabalhador neste ramo comercial.
O movimento social propõe que a exploração do petróleo seja de uma forma estratégica para resolver os grandes problemas que resultaram das mazelas da política brasileira. O movimento social é contra a exploração indiscriminada do petróleo, mas que receita seja investida na indústria petroquímica e na mudança da nossa matriz energética, pois somos um país tropical com muito sol, ventos e rios. Outra questão que precisamos analisar é a reivindicação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Segundo eles, água e energia não são mercadorias. Eles são contra a construção de grandes hidrelétricas, pois as mesmas estão sendo construídas para alimentar grandes empresas multinacionais que estão se instalando no Brasil, além de causarem grandes desastres ambientais. As leis não são as mesmas nos diferentes países. Vejam o exemplo da TKCSA. Será que ela seria construída na Alemanha, França, etc.
Por fim, disse que o Sindipetro propõe outra sociedade de consumo, com outra matriz energética.
Aos palestrantes seguiu-se a “fila do povo” com depoimentos, perguntas e questões de vários participantes.
Dando seguimento ao processo de discussão da Semana Social está previsto um Seminário de Capacitação de Agentes Multiplicadores, que será realizado de 19 e 20 de maio, em de Duque de Caxias. As fotos estão em www.iserassessoria.blogspot.com.br - Veja também www.semanasocialbrasileira.org.br

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Rede Fé e Política do Rio de Janeiro faz planejamento para 2012


Calendário da Rede F&P 2012
• 27 de março – debate na ALERJ sobre 5ª SSB (a confirmar)
• 31 de março – Fórum de Fé e Política sobre o tema da 5ª SSB
• 19 e 20 de maio – Seminário (outra data possível 26 e 27 de maio)
• 18 a 24 de março – Lançamento da 5ª SSB na arquidiocese do Rio de Janeiro (é a nossa proposta, escolher um dia)
• Junho – Rio+20 + Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental
• Agosto – Semana Estadual (é a nossa proposta)
• 25 de agosto – Reunião Ampliada (a confirmar ....)
• 10 e 11 de novembro – Retiro
• 1ª segunda feira dos meses pares - Reuniões de articulação

Calendário do F&P - Região dos Lagos
21de abril - Encontro de Formação no Frade (Serra de Macaé)
16 de junho - IV Fórum Regional, em Macaé.
Reuniões mensais da equipe de articulação

A Rede Fé e Política do estado do Rio de Janeiro realizou no sábado, 04 de fevereiro, no convento Santo Antonio do Largo da Carioca, um encontro para definir o planejamento de atividades e estratégias de atuação para 2012.
Participaram representantes de grupos de Fé e Política ou Fé e Cidadania de vários municípios do estado: Belford Roxo, Campos, Duque de Caxias, Mesquita, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. São João de Meriti, São Pedro da Aldeia. Frei Valnei, desejando participar da Rede, acolheu o evento no convento.
Neste ano, além da participação na Campanha da Fraternidade, que tem como tema a Saúde Pública, a Rede de Fé e Política deve engajar-se na 5ª Semana Social Brasileira (5ª SSB), que tem como tema “O Estado que temos e o Estado que queremos”.
A Semana Social é uma iniciativa da CNBB através da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz. Com esse tema a Igreja Católica quer oferecer à sociedade brasileira um espaço de discussão e de proposição para a Reforma Política.
A Rede Fé e Política tirou duas prioridades para 2012: Primeiro, trabalhar para colocar a 5ª SSB na agenda de igrejas, pastorais e da sociedade civil organizada do Estado do Rio de Janeiro. Em segundo lugar, favorecer uma reflexão séria sobre as Eleições de 2012, visando superar o clima criado pela grande imprensa de que política não presta, que tudo “está tudo dominado”, e é melhor “ficar fora dessa”.

Iniciamos a reunião com um momento celebrativo, recordando as lutas que estão acontecendo. Foi recordado que no dia 21 de janeiro a Rede Fé e Política participou da Caminhada da Terra em São João da Barra, RJ, em solidariedade aos agricultores e pescadores expulsos de suas terras para dar lugar ao megaempreeendimento do Porto do Açu de Eike Batista.

1. Articulação da Rede de Fé e Política no Estado
Em busca da sociedade do Bem-Viver foi o tema de 2011, aprofundado no Fórum de F&P, no V Encontro Estadual, no Fórum de Rio das Ostras-Macaé e com uma significativa participação 8° Encontro Nacional de Fé e Política em Embu das Artes, SP.
A equipe de articulação, no Rio de Janeiro, reúne-se todas as segundas feiras dos meses pares, às 18:30 horas, no Iser Assessoria. Outra reunião Ampliada, com participação de representantes de grupos do Estado está prevista para o dia 25.08.2012.
Para o encaminhamento das atividades da 5ª SSB foi formada uma comissão com a participação de: Tobias, Érika, Maria Alice, Flávio, Paulo, Névio.

2. A 5ª SSB – Semana Social Brasileira no Rio de Janeiro
A diocese de Campos, com o protagonismo de dom Roberto, o novo bispo, deu a largada já no ano passado realizando um Seminário sobre a 5ª SSB. A atividade contou com apoio da Universidade Federal Fluminense e do Ministério Público. A principal decorrência foi o apoio da diocese e da sociedade civil organizada aos direitos dos agricultores e pescadores que estão sendo expropriados de suas terras e retirados em São João da Barra.
A Rede está propondo à arquidiocese do Rio de Janeiro através do Vicariato Episcopal para a Caridade Social, um evento como aquele realizado por ocasião da votação do projeto Ficha Limpa. Padre Manoel Manangão pediu uma proposta concreta, que será preparada pela Comissão.
Os materiais da 5ª SSB já estão prontos. Devem ser encomendados nas Edições CNBB - www.edicoescnbb.com.br – Devemos motivar as paróquias e livrarias paroquiais, que tem direito a 20% de desconto, a comprar e revender esse material (veja quadro abaixo). Além disso, um instrumento fundamental para a Semana Social é o Documento 91 “Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática”.



















A 5ª SSB deverá estar vinculada à Conferência da ONU denominada Rio+20 a ser realizada no Rio de Janeiro no mês de junho. Está havendo uma articulação social para realizar ao mesmo tempo a “Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental contra a Mercantilização da Vida e da Natureza em defesa dos Bens Comuns”, no Aterro do Flamengo, de 15 a 23 de junho.

Foram definidas algumas atividades de mobilização a serem encaminhadas pela Comissão:
• Um Fórum de Fé e Política
• Um Seminário de Formação para articulares da Semana Social
• Um Encontro Estadual a ser construído com a participação das dioceses e dos movimentos sociais.
• Também existe a disposição de realizar o lançamento da 5ª SSB na Arquidiocese do Rio de Janeiro, através do Vicariato Episcopal para a Caridade Social.
• Paróquias e dioceses, escolas e demais organizações da sociedade civil também deveriam promover eventos relacionados com a 5ª SSB.

3. Eleições 2012
Para as Eleições os grupos de base, comunidades e pastorais poderão contar com uma cartilha que está sendo preparada pelo CEFEP, Centro de Fé e Política Dom Helder Câmara, ligado à CNBB.
O Iser Assessoria está preparando a reedição da Cartilha “Construindo o Poder Local”, um importante subsídio para refletir sobre o momento das eleições municipais, próprio para grupos de base.
Um dos nossos papéis da Rede Fé e Política é incentivar o GAL – Grupo de Acompanhamento do Legislativo e os Comitês de Combate à Corrupção Eleitoral. Devemos trabalhar a idéia que “Voto não tem preço. Tem conseqüências”. Cada grupo local definirá a melhor forma de participação nas eleições.
O ano de atividades da Rede Fé e Política deverá terminar com um Retiro para pessoas que estão na política, no campo institucional, partidário ou que de alguma forma estejam na caminhada do Movimento Nacional de Fé e Política.
Névio Fiorin
Pelo grupo de articulação da Rede F&P